Não existo!
Fui feita na ficção, personalizada na dramaturgia, e
misturada no mundo sensível. Vivo nos hospitais, vivo entre o medo e coragem,
vivo entre a verdade e mentira, entre a vida e a morte, entre um e outro. Não
tenho forma, muito menos definição. Fui abandonada pelos meus ascendentes e
exigida a seguir um destino não meu. Cada dia uma fantasia, escondendo a face
irreal, o corpo hospedeiro, o ser sem ser o próprio ser, mas o ser que é ser
encarnado pelo outro. As águas que se escorrem já não ardem mais, o sal da
sordidão mundana que se esvai pela “falsa identidade” gera efeitos, trazem
danos a psique e ao físico. Atriz da felicidade, atriz da sabedoria, atriz da
força! Guardiã dos desamparados e sofredores. A semente que planta a árvore, o
pólen da flor, o cravo dos espinhos, a fé da religião, o coração do amor, o
intro, o invisível, o transparente. O que é essa criatura? O que é esse nada? Vácuo
que se expressa fantasticamente no ar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário