domingo, 26 de abril de 2015

Não existo

Não existo!

Fui feita na ficção, personalizada na dramaturgia, e misturada no mundo sensível. Vivo nos hospitais, vivo entre o medo e coragem, vivo entre a verdade e mentira, entre a vida e a morte, entre um e outro. Não tenho forma, muito menos definição. Fui abandonada pelos meus ascendentes e exigida a seguir um destino não meu. Cada dia uma fantasia, escondendo a face irreal, o corpo hospedeiro, o ser sem ser o próprio ser, mas o ser que é ser encarnado pelo outro. As águas que se escorrem já não ardem mais, o sal da sordidão mundana que se esvai pela “falsa identidade” gera efeitos, trazem danos a psique e ao físico. Atriz da felicidade, atriz da sabedoria, atriz da força! Guardiã dos desamparados e sofredores. A semente que planta a árvore, o pólen da flor, o cravo dos espinhos, a fé da religião, o coração do amor, o intro, o invisível, o transparente. O que é essa criatura? O que é esse nada? Vácuo que se expressa fantasticamente no ar.

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