Pego o liquidificador e jogo todas as frutas possíveis que
ainda restam na geladeira: o limão, o abacate, o mamão, a maçã, a pêra e, por
último, o toque final, a banana com mel que está aterrizada bem em cima do
forno. Os ingredientes são jorrados no instrumento, o qual funciona
ligeiramente bem. É preciso um líquido para fundir a salada mista, o leite, no
caso, é o mais viável. O aparelho é ligado, e a mistura das frutas junto ao
leite, aos poucos, vai se modificando até alcançar o ponto ideal, o
teoricamente homogêneo da vitamina. Pego o copo e encho-o quase acima da borda,
minha boca apreensiva aproxima-se do vidro e toma o primeiro gole; gole
irrisório. Tomo o segundo gole, definitivamente o excesso de gostos é
inacessível ao paladar. Exótico! Diz o cérebro, enquanto o líquido alternativo
passa pela corrente sanguínea, acordando as células que viram vida. O ser
inapto procura se auto definir em meio aos sabores únicos de cada fruta, e de
certa forma, se encaixa na falta de sabor da mistura vitaminada. Exótico! Diz o
cérebro.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirCara parecia que eu estava lendo um livro. Cada detalhe bem descrito. Por um segundo me agarrei ao celular querendo saber o que aconteceria a seguir. Isso apenas com uma vitamina incomum, imagina se fosse um livro
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