O amanhecer cinza envolvia os seres dentro um de cubo.
Imersos em superfícies, mergulhavam nas dimensões amargas da tempestade. Os
trovões eletrizavam os corações desumanos, compactados de ódio e soberba. O
ambiente indômito, causado pela espécie sadomasoquista, massacrava qualquer
homem que se aproximasse do recinto fétido. As cobras se feriam mutuamente,
repudiando e maltratando a imagem por elas forjada. Todos contra todos, se auto
destruindo compulsivamente para não viverem diante da carnificina coletiva -
meio social.
l-e-t-r-a-ssoltas
sexta-feira, 29 de maio de 2015
domingo, 26 de abril de 2015
Lírico de paixão
Com um pé atrás, e outra a frente
Meio cambaleando pelas estradas da vida
Cheia de dúvidas e palavras ditas
O coração feliz amargurado
Os pensamentos já exagerados
As atitudes radicais, muito tempo racionalizadas
Os ventos do sul que chegam
Os mares ao tom azul escuro
Ambiente desconhecido
Aconchego gostoso
Sensações ambíguas
Aguá que cae, que não molha
Sol que reflete, que não queima
Voz que fala, já não mais se escuta
Um novo paladar
Uma temporária passagem
Uma travessura
A caminho do amadurecimento
A caminho do sentido da vida
A morte de instantes
A carne molhada desnuda o corpo degenerado de vida. O rígido
da gordura aquece a pele fragilizada. A carne molhada desnuda o corpo
degenerado de vida. Os pelos sem força caem sobre o ralo, a água fervendo
arranca os fios louros. A floresta urbanizada de fora das janelas caminha no
seu percurso usual, os leões nos seus lugares e toda a civilização animal. A
vigília de ontem foi tempestuosa, em meus tímpanos, gemidos por todos os lados.
O bicho feroz se atiça para a luta, violência em sigilo permanece, a morte é
pensante e o efeito drástico. O arbusto me protege em meio à noite fantasma, as
sombras são feitas de verdade; animal real se aproxima do meu território. A carne molhada desnuda o corpo degenerado de
vida. No pico das montanhas-céus os
predadores se espreitam, enquanto as vítimas inocentadas correm para as
cavernas. O último ranger dos dentes do animal finca o corpo petrificado do
bicho feroz. A carne molhada desnuda o
corpo degenerado de vida.
Anônimos Vagabundos
O veneno que me injetam é o alimento que se recebe. Satanás,
Satanás, lúcifer denomina-se. Satanás, Satanás, Lúcifer é o ser. Satanás,
Satanás orai pelo reino dos capetas, Satanás, Satanás orai pelos ratos desse
mundo. Drogas doces, drogas que não me deixam dormir. Caminhai, caminhai diante
à barca do inferno. Levai, levai o que nada fez, o que se pode temer. Que desse
ódio mortal nasça à paz e a aurora dos dias de glória. Que o requinte dessa
madrugada se rompa, as almas penadas acordadas comuniquem com Mavel: Má,
maquiavélico, malícia. Orai, orai por todos os pecadores, retirai, retirai das
nossas vidas o encosto. Lutai pelo divino, rezai pros céus. Satanás, Satanás
orai pelo reino dos capetas, Satanás, Satanás orai pelos ratos desse mundo.
Louvai, louvai a pureza raizada, a vingança finalizada e a barca de luz
sintetizada pelos devotos. Orai, orai, orai! Xoo Satanás.
Angústia
Reviver já o todo vivido, as mazelas, as alegrias. Me
assisto, que vazio, olho pra fora, e desespero. É um estado provisório de animo,
no qual, embora se vai rapidamente. O quadro é branco, assim como eu, sem
emoções e sem vontades. O cigarro podre ao qual me submeto asfixia-me,asfixia
dolorosa,rompendo os brônquios pulmonares ainda vivos dentro do corpo. Alma
findada, se autodestruindo vagarosamente, e o ser social não mais presente. Restam
às cinzas de poesia, os versos mudos insistentes na pronúncia, e os átomos de
movimento continuam a dançar pelos vasos sanguíneos, as veias azuis. Não tomo
comprimidos,drogas súplicas dos imortais, necessito de rezas brandas, resultados
lícitos. Encarceramento colossal, grito, procuro por um tutorial de vida e de
existência, por onde andei, estive nos retiros de letras,de românticos,no
entanto,estou quem sabe talvez,em um realismo mórbido, em tempo algum, faceiro.
Não existo
Não existo!
Fui feita na ficção, personalizada na dramaturgia, e
misturada no mundo sensível. Vivo nos hospitais, vivo entre o medo e coragem,
vivo entre a verdade e mentira, entre a vida e a morte, entre um e outro. Não
tenho forma, muito menos definição. Fui abandonada pelos meus ascendentes e
exigida a seguir um destino não meu. Cada dia uma fantasia, escondendo a face
irreal, o corpo hospedeiro, o ser sem ser o próprio ser, mas o ser que é ser
encarnado pelo outro. As águas que se escorrem já não ardem mais, o sal da
sordidão mundana que se esvai pela “falsa identidade” gera efeitos, trazem
danos a psique e ao físico. Atriz da felicidade, atriz da sabedoria, atriz da
força! Guardiã dos desamparados e sofredores. A semente que planta a árvore, o
pólen da flor, o cravo dos espinhos, a fé da religião, o coração do amor, o
intro, o invisível, o transparente. O que é essa criatura? O que é esse nada? Vácuo
que se expressa fantasticamente no ar.
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