domingo, 26 de abril de 2015

A morte de instantes



A carne molhada desnuda o corpo degenerado de vida. O rígido da gordura aquece a pele fragilizada. A carne molhada desnuda o corpo degenerado de vida. Os pelos sem força caem sobre o ralo, a água fervendo arranca os fios louros. A floresta urbanizada de fora das janelas caminha no seu percurso usual, os leões nos seus lugares e toda a civilização animal. A vigília de ontem foi tempestuosa, em meus tímpanos, gemidos por todos os lados. O bicho feroz se atiça para a luta, violência em sigilo permanece, a morte é pensante e o efeito drástico. O arbusto me protege em meio à noite fantasma, as sombras são feitas de verdade; animal real se aproxima do meu território.  A carne molhada desnuda o corpo degenerado de vida.  No pico das montanhas-céus os predadores se espreitam, enquanto as vítimas inocentadas correm para as cavernas. O último ranger dos dentes do animal finca o corpo petrificado do bicho feroz.  A carne molhada desnuda o corpo degenerado de vida.

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