domingo, 26 de abril de 2015

Anônimos Vagabundos



O veneno que me injetam é o alimento que se recebe. Satanás, Satanás, lúcifer denomina-se. Satanás, Satanás, Lúcifer é o ser. Satanás, Satanás orai pelo reino dos capetas, Satanás, Satanás orai pelos ratos desse mundo. Drogas doces, drogas que não me deixam dormir. Caminhai, caminhai diante à barca do inferno. Levai, levai o que nada fez, o que se pode temer. Que desse ódio mortal nasça à paz e a aurora dos dias de glória. Que o requinte dessa madrugada se rompa, as almas penadas acordadas comuniquem com Mavel: Má, maquiavélico, malícia. Orai, orai por todos os pecadores, retirai, retirai das nossas vidas o encosto. Lutai pelo divino, rezai pros céus. Satanás, Satanás orai pelo reino dos capetas, Satanás, Satanás orai pelos ratos desse mundo. Louvai, louvai a pureza raizada, a vingança finalizada e a barca de luz sintetizada pelos devotos. Orai, orai, orai! Xoo Satanás.

Angústia



Reviver já o todo vivido, as mazelas, as alegrias. Me assisto, que vazio, olho pra fora, e desespero. É um estado provisório de animo, no qual, embora se vai rapidamente. O quadro é branco, assim como eu, sem emoções e sem vontades. O cigarro podre ao qual me submeto asfixia-me,asfixia dolorosa,rompendo os brônquios pulmonares ainda vivos dentro do corpo. Alma findada, se autodestruindo vagarosamente, e o ser social não mais presente. Restam às cinzas de poesia, os versos mudos insistentes na pronúncia, e os átomos de movimento continuam a dançar pelos vasos sanguíneos, as veias azuis. Não tomo comprimidos,drogas súplicas dos imortais, necessito de rezas brandas, resultados lícitos. Encarceramento colossal, grito, procuro por um tutorial de vida e de existência, por onde andei, estive nos retiros de letras,de românticos,no entanto,estou quem sabe talvez,em um realismo mórbido, em tempo algum, faceiro. 

Não existo

Não existo!

Fui feita na ficção, personalizada na dramaturgia, e misturada no mundo sensível. Vivo nos hospitais, vivo entre o medo e coragem, vivo entre a verdade e mentira, entre a vida e a morte, entre um e outro. Não tenho forma, muito menos definição. Fui abandonada pelos meus ascendentes e exigida a seguir um destino não meu. Cada dia uma fantasia, escondendo a face irreal, o corpo hospedeiro, o ser sem ser o próprio ser, mas o ser que é ser encarnado pelo outro. As águas que se escorrem já não ardem mais, o sal da sordidão mundana que se esvai pela “falsa identidade” gera efeitos, trazem danos a psique e ao físico. Atriz da felicidade, atriz da sabedoria, atriz da força! Guardiã dos desamparados e sofredores. A semente que planta a árvore, o pólen da flor, o cravo dos espinhos, a fé da religião, o coração do amor, o intro, o invisível, o transparente. O que é essa criatura? O que é esse nada? Vácuo que se expressa fantasticamente no ar.

Inquilinos



O pensamento fechado
A intuição aguçada
Os sorrisos já cansados de fingirem uma falsa alegria

A mente longe, longe de tudo
As idéias infinitas, infinitas que não podem acabar
A peregrina que viaja, a desabrigada em sua casa.

Ao lar que não existe, à procura do seu mundo, à procura dela.
A sem teto, a sem nexo, a sem ela mesma.

Terra dos tesouros perdidos
Incompreendidos moradores
Sensíveis por natureza

Depressivos pelo destino
Escolhidos dos maléficos
Vítimas de suas próprias dores


Distantes.

Me envergo

Envergando no emaranhado dos meus cabelos
Retorcendo a pele morta que parece viva
Mordendo os lábios salgados que me fazem mal
Ar quente que respiro,oxigênio cessado

Recusa da vida
Recusa dos sentimentos
Recusa de você

E o movimento continua..
E as roupas feias trocadas
E os companheiros  substituídos
E os céus vermelhos que formam

Envergando na mudança
Envergando na nova fase
Envergando em mim

Os chãos pisados ainda novatos
Os arrepios com medo da aventura
Os afazeres muitos

Processando a jornada
Indo para o saara
De máscaras quebradiças
reservatório de águas turbulentas

 E o movimento continua..

Frutificar



Pego o liquidificador e jogo todas as frutas possíveis que ainda restam na geladeira: o limão, o abacate, o mamão, a maçã, a pêra e, por último, o toque final, a banana com mel que está aterrizada bem em cima do forno. Os ingredientes são jorrados no instrumento, o qual funciona ligeiramente bem. É preciso um líquido para fundir a salada mista, o leite, no caso, é o mais viável. O aparelho é ligado, e a mistura das frutas junto ao leite, aos poucos, vai se modificando até alcançar o ponto ideal, o teoricamente homogêneo da vitamina. Pego o copo e encho-o quase acima da borda, minha boca apreensiva aproxima-se do vidro e toma o primeiro gole; gole irrisório. Tomo o segundo gole, definitivamente o excesso de gostos é inacessível ao paladar. Exótico! Diz o cérebro, enquanto o líquido alternativo passa pela corrente sanguínea, acordando as células que viram vida. O ser inapto procura se auto definir em meio aos sabores únicos de cada fruta, e de certa forma, se encaixa na falta de sabor da mistura vitaminada. Exótico! Diz o cérebro.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Frio asfalto

E  o canto inalado por todos os becos,emite sentimento.O sentimento reprimido,por muito tempo guardado,revigorado,agora,então.Água pura que absorve o negro da harmonia musical,esgoto escuro que emerge,cheios de sentimento.O Calçadão extenso oculta a verdade das vozes,vozes volúveis,vozes ocas.Cacos de vidro jorrados pelo chão,apenas devido ao ímpeto de um alvoroço sentimento.E a paisagem de cores,refletem o meu semblante,semblante isento.